segunda-feira, 19 de setembro de 2016


O PRESENTE





_Oi. Enviarei para você.

Quando as nuances noturnas chegaram ao seu ápice, uma ânsia predativa tomou conta de tudo aquilo que tocava.
Seus passos acelerados, eram mantidos em constância, alimentados por substâncias imaginárias advindas de recipientes meramente abstratos.
Frágil, foi o que se tornou, um corpo inóspito, mas ainda habitado por alguém a procura de algo surreal, utópico talvez, mas original em suas raízes alucinógenas.
Mesmo caminhando a velocidades extremas, a fala se mantiverá calma. Cabia porcentagem o suficiente de felicidade dentro daquele sorriso; Mas não era opcional ser feliz.

Lucidez, calma, paciência e realismo. Ilusões óticas, corpos esguios, mentes libertas mas ainda acorrentadas. Sementes plantadas e colhidas para usos ímpios.
Uma metamorfose interrompida, parada por vontade própia, pilares brancos erguidos e destruídos por olfatos ávidos por mais...
...mais velocidade.
Se chama: ARES.
                                                                                                                   Tom Zé- Complexo de épico
 
Agradecido!
 

sábado, 4 de junho de 2016


 
 
 
 
 
 
 
"vem uma espécie de aversão, como que um horror por [seu] ofício: sentir-se à mercê do outro e que o desejo é um Estranho que acampa em nossas medulas como em terra conquistada e nos leva no chicote. [...]"
 
Errantes da Carne; Winter; Pg. 31

sábado, 14 de maio de 2016

 Samba de Um Grande Amor - Autoria secreta.


"[...]Não há vida - não há vida sem este desejo
Cada batida do meu coração tão imperfeito
Quando, quando você chega e eu me espanto
[...]"

Josh Groban - You rase me up


I Ching (?)

terça-feira, 10 de maio de 2016



"[...]Pra saber da árvore com galhos pra quebrar
Em secas folhas ao chão
Secos e duros gravetos
[...]"

Os Novos Baianos - Sorrir e Cantar como Bahia.

terça-feira, 3 de maio de 2016

COMO DESPERDIÇAR UMA MÚSICA?



Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim

Tudo ligado...

Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa até São Conrado
E ganhasse as Canoas aqui do outro lado

Tudo plugado, tudo me ardendo...

Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos.

Âmbar - Maria Bethânia

sábado, 26 de março de 2016



"Todo presente contém essencialmente um fator de mutação, por mais ínfimo que seja, fator que o distingue de um processo de repetição, isolando-o da nostalgia da lembrança, diferenciando-o da exangue rememoração. Assim como não poderia ser reduzido à compilação dos traços do passado, tampouco consiste num desdobrar de projeções perspectivas, de idealismo utópico, de sonho piedoso, em suma, de uma forma de concepção do mundo que lhe resolveria o ordenamento mediante uma antecipação de efeito retroativo. E no entanto é entre a esperança e a nostalgia que se funda, com o jogo das palavras da memória e as imagens do sonho que para si ele abre, no tempo de uma pulsação, presente inédito, inaudito, familiar desde toda eternidade, ora sob a aparência de um abismo, ora como os degraus de uma escada de Jacó."

LECLAIRE, Serge. O País do Outro: O Inconsciente. Pg. 28 Jorge Zahar Editor: Rio de Janeiro, 1991.

 

quarta-feira, 16 de março de 2016

 
Poema na íntegra:
 
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Poema em Linha Reta - Álvaro de Campos.

quarta-feira, 2 de março de 2016


"[...]Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão - 
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que
são amados.
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído."

Alberto Caeiro.

Em Datilografia - Fase I.